Toda discussão sobre floor price acaba caindo na mesma pergunta: qual número eu coloco aqui? Não existe resposta universal — o floor certo depende do seu inventário, do seu tráfego, da sua demanda configurada e do momento do ano. Mas existe um método razoável para encontrar o ponto de partida e ir ajustando a partir dele. Vamos a ele.
A equação que ninguém mostra
Antes de definir o floor, é preciso entender o que ele afeta. Sua receita por mil impressões oferecidas (a “receita teórica”) segue uma equação simples:
Receita = CPM médio das impressões vendidas × Fill rate × Volume de impressões
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O floor controla os dois primeiros fatores ao mesmo tempo, em direções opostas:
- Floor mais alto → CPM médio sobe (impressões baratas são recusadas), mas fill rate cai (mais impressões ficam sem comprador).
- Floor mais baixo → fill rate sobe (quase tudo é vendido), mas CPM médio cai (você está aceitando lances baixos que poderia ter ignorado).
O floor ótimo é o ponto onde o produto dos dois fatores é máximo. Não é o que dá maior CPM, nem o que dá maior fill rate — é o que dá maior receita total.
O ponto de partida: olhar o eCPM histórico
Se você já tem o GAM rodando há algumas semanas, o caminho mais sensato é começar pelo seu eCPM médio histórico — a média de receita por mil impressões que você está obtendo na prática, considerando todas as fontes de demanda.
A regra de bolso usada por muitos publishers para o floor inicial é: 30% a 50% do eCPM médio.
Por quê? Porque o eCPM médio é uma mistura de impressões muito caras (top bidders, anunciantes premium) e muito baratas (remainders, anunciantes de cauda longa). Cortar fora a metade inferior dessa cauda elimina lances tão baixos que poluem o leilão sem agregar receita relevante, mas mantém demanda saudável.
Exemplos práticos:
- Se seu eCPM médio é US$ 1,20, um floor de partida razoável seria entre US$ 0,40 e US$ 0,60.
- Se seu eCPM médio é US$ 4,00, comece com floor entre US$ 1,20 e US$ 2,00.
- Se seu eCPM médio é US$ 0,30 (típico de tráfego de Tier 3), comece com floor entre US$ 0,10 e US$ 0,15.
E se ainda não tenho dados próprios?
Se você está começando a operação e não tem histórico, use referências do mercado por geo e nicho. Algumas faixas observadas em arbitragem com Google Ad Manager (display, mobile, formatos padrão):
- Tier 1 (EUA, Reino Unido, Alemanha) — eCPMs entre US$ 2 e US$ 8 em nichos de tráfego de massa
- Tier 2 (Brasil, México, Espanha, Itália) — eCPMs entre US$ 0,80 e US$ 3
- Tier 3 (Indonésia, Filipinas, Índia) — eCPMs entre US$ 0,20 e US$ 1
Essas faixas variam muito por nicho. Finanças e saúde costumam estar no topo da banda. Curiosidades e nostalgia, no meio. Conteúdo “leve” (memes, virais) costuma estar no piso.
Floor inicial sem dados próprios: comece baixo, na faixa de 20-30% do eCPM esperado. É melhor começar deixando dinheiro na mesa do que paralisar o inventário em uma operação que ainda está aprendendo a ler os dados.
O teste de subida progressiva
Definido o floor inicial, o trabalho real começa: descobrir até onde dá para subir sem destruir fill rate. O método clássico:
- Defina seu floor inicial e deixe rodar por pelo menos 7 dias. Anote eCPM, fill rate e receita total.
- Suba o floor em 10% a 15%. Deixe rodar mais 7 dias com a nova configuração.
- Compare. Se a receita total subiu (ou ficou igual), suba mais 10-15%. Se a receita total caiu, volte ao patamar anterior.
- Repita até encontrar o ponto onde qualquer aumento começa a destruir mais fill rate do que ganhar em CPM.
Esse processo geralmente leva 4-6 semanas para chegar ao floor estável. Em operações grandes, vale rodar como teste A/B (dividindo inventário) para reduzir o tempo.
Sazonalidade: o floor não é estático
Um detalhe que muita gente esquece: a demanda publicitária varia ao longo do ano. O quarto trimestre (Q4), especialmente novembro e dezembro, é o pico de gastos com publicidade no mundo todo. CPMs sobem 30-60% em alguns geos. Janeiro e fevereiro despencam.
Implicação prática: o floor que funciona em outubro pode estar baixo demais em dezembro (você está deixando dinheiro na mesa de anunciantes que pagariam mais) e alto demais em fevereiro (você está paralisando inventário em um momento de demanda fraca).
Operadores maduros revisam floors trimestralmente, no mínimo. Operadores avançados revisam mensalmente, ou usam sistemas dinâmicos que ajustam automaticamente.
O que monitorar junto com o floor
Não olhe só o CPM. Sempre que mexer no floor, acompanhe simultaneamente:
- eCPM efetivo — receita total / impressões servidas × 1000
- Fill rate — impressões servidas / impressões solicitadas
- Match rate — específico de algumas SSPs, mas relevante
- Receita total — o número que importa de verdade
- Auction loss reasons — relatório do GAM que mostra por que impressões foram perdidas (incluindo “blocked by pricing rule”)
O relatório de auction loss reasons é particularmente útil. Ele te diz, em números, quantas impressões deixaram de ser monetizadas porque o floor foi alto demais. Se esse número for irrelevante, você tem espaço para subir. Se for grande, talvez você esteja paralisando muito inventário.
Para fechar
Definir o CPM mínimo não é um evento — é um processo contínuo. Começa com uma estimativa razoável baseada no eCPM histórico (ou em referências do mercado, se você é novo). Continua com testes progressivos de subida. Evolui com ajustes sazonais. E nunca termina, porque a demanda muda, o tráfego muda, o ano muda.
O erro mais comum dos iniciantes é tratar o floor como configuração de “uma vez e pronto”. O segundo erro mais comum é mover o floor sem medir o impacto na receita total. Se você fugir desses dois erros, já está à frente da maior parte do mercado.